sexta-feira, 21 de julho de 2017

Excertos dos nossos dias e desejo para o fim de semana

No fim de semana passado decidi ir à piscina (recreativa) com o miúdo. Só eu é que pago, entramos os dois, divertimo-nos dentro de água e eu ainda faço algum exercício físico. Aproveitamos o material que os professores utilizam nas aulas.
Andava a fazer contas para inscrevê-lo na natação, estava complicado, decidi agora que vamos os dois uma vez por semana: fica mais barato e se não pudermos ir, não pagamos nem perdemos aulas. Não é a mesma coisa, eu sei, mas desta forma conseguimos ir os dois e pagamos menos.

Num dos dias de parque, a diversão (deles... e minha também, vá) centrou-se em atirar a bola a 3 miúdos cheios de energia que estavam empoleirados na casa do parque: atirava a bola ao primeiro e ele atirava para mim, depois repetia a brincadeira com o segundo, por fim com o terceiro. Repetimos isto dezenas de vezes. No final desta brincadeira senti-me com dois dias de trabalho em cima, bolas, preciso de vitaminas para os acompanhar.

Num outro dia, saí às 17h, apanhei-o às 17h15 e "voámos" até à praia, fomos ao encontro da prima, da tia e da avó. Não foi planeado, se tivesse sido não tinha sido tão bom. Vamos repetir. Da próxima vez escolhemos a sexta feira e levamos jantar, se no regresso, o miúdo adormecer no carro, dorme salgado, paciência. Escolho a sexta feira porque não há horários para cumprir no dia seguinte e porque sinto que quando começo a aproveitar o fim de semana à sexta feira ele é muito maior (cheguei a esta "grande" conclusão há algum tempo). Assim sendo, comecemos o fim de semana à sexta feira.

Por falar em fim de semana, gostava muito de ir até Porto Covo, assistir a um concerto com o miúdo no Festival Músicas do Mundo. Gostava de ouvir (ao vivo) um bocadinho disto:


Lembro-me de ir a este festival há uns anos numa roulote que a minha mãe tinha, de fazer as refeições ao ar livre e de tomar banho (com bikini vestido, não exageremos) nas torneiras de jardim/rega. Hoje, com o miúdo a reboque, queria tanto ter uma auto caravana. Não só para ir a este festival, mas para poder passar fins de semana fora todas as semanas. Isto não é propriamente um desejo de fim de semana, mas sim do mês/do semestre/do ano/por este andar, da década.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

"Filmateatro" e o Plano Nacional de Cinema

Lembro-me de ter realizado um trabalho extra de Expressão Dramática. Ao reler o projeto, efetuo alterações mentalmente, defino os seguintes objetivos:


- inventar ou contar uma história,
- representar a história inventada ou contada,
- realizar o cenário, 
- definir e desenvolver o guarda roupa e a caracterização das personagens,
- entrevistar os alunos durante a execução do projeto,
- filmar as diferentes fases do projeto e a representação;
- visionar o filme final;
- Avaliar o projeto (em conjunto).

Na altura, houve uma preocupação clara durante todo o projeto: independentemente do número de alunos que integrasse a representação propriamente dita, era fundamental que todos sentissem que tinham um papel importante no produto final; que todos interiorizassem que sem a sua participação o resultado não seria o mesmo; que todos se considerassem protagonistas na função que desempenhavam; que todos participassem nas tomadas de decisão. Uns ficaram responsáveis por filmar, outros por entrevistar, outros por realizar o cenário e por aí adiante.
Na altura defini que a atividade seria para alunos do 4º ano do 1º ciclo do ensino básico e que a professora já teria experimentado todas as tarefas, individualmente, em anos anteriores - a professora acompanhava a maioria dos alunos desde o 1º ano. Hoje acrescentaria que o grupo estava habituado a definir e distribuir tarefas por todos em diferentes contextos; que o projeto tinha nascido a partir de uma discussão - teatro Vs cinema; que os alunos já tinham trabalhado em pequenos grupos para um projeto final de grande grupo.
Neste projeto, para além da Expressão Dramática seriam trabalhadas diversas áreas, tais como a Língua Portuguesa, Expressão Plástica, Tecnologias de Informação, entre outras. O produto final não seria a dramatização, mas sim a apresentação de como tudo foi feito. Daí a importância dada à área da entrevista e da da filmagem.
Foi um trabalho realizado no 1º semestre do 1º ano da licenciatura. Terá certamente várias lacunas, mas ao relê-lo continuo a identificar várias áreas de interesse. Até podem existir alunos que adoram a área da dramatização/da representação, já outros não se sentirão à vontade nessa área, preferirão outras. Um projeto multidisciplinar permite a participação de todos, tendo em conta os interesses de cada um. E se avaliarmos bem, a maioria das áreas podem ser transversais e integrar muitos dos objetivos definidos. O exemplo da Língua Portuguesa é flagrante, não está presente apenas na criação da história: está na representação;  está no planeamento da realização do cenário; está na descrição das personagens; está nas entrevistas; está nas instruções dadas durante as filmagens e nos objetivos definidos para as mesmas...
Acho que seria muito importante, na área da educação, deixarmos de nos focar tanto no produto final e passarmos a valorizar todo o processo. Neste caso, a representação final (se houvesse lugar para ela) até poderia correr muito mal, no entanto com o registo em filme (documentário) de como tudo foi criado o foco mudaria.

Chamei Filmateatro a este projeto. Soube recentemente, através de um grupo de facebook, que para além do Plano Nacional de Leitura, existe um Plano Nacional de Cinema. Bem-vindo sejas, que promovas a aproximação das crianças e dos jovens ao mundo do cinema que pode ser tão rico. A simples experiência de se ver uma animação e de se discutir a mensagem, a interpretação, a qualidade das imagens, a história ou as personagens pode ser, por si só, muito rica.

Na escola que o meu filho frequenta, entre os dias de banhos de piscina, os dias de guerra com pistolas de água, os dias de festa, os dias de culinária, os dias de pinturas e os dias de passeios, contemplados nas atividades de Verão, também há os dias de cinema (um filme projetado na parede do ginásio da escola), com pipocas e tudo.
E eu, com o meu lado crítico muito apurado, pergunto-me porque é que não se mantém este formato de atividades de Verão, com ambientes mais descontraídos (não é que nos restantes meses seja demasiado formal), com trabalhos mais improvisados do que planeados (não estou a descartar o planeamento, nada disso) durante todo o ano. E em todas as escolas.

Sugestão: Estou a pensar seriamente passar o telemóvel ou a máquina para as mãos do miúdo para ele filmar um dos nossos passeios. Se ele gostar, repetimos. Vou guardar o(s) registo(s) e vou chamar-lhe(s) "O mundo pelos teus olhos". Aproveitando os dias de cinema na escola, acho que chegou a hora de irmos ao cinema pela primeira vez.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Palco Vs Arraial

Na escola que o meu filho frequentou de Setembro de 2016 a Abril de 2017 houve actuações na festa de Natal. Na escola que o meu filho frequenta atualmente não houve actuçaões na festa de final de ano, houve um Arraial inspirado nos costumes e tradições da terra onde vivemos, com gente vestida a rigor (opcional), com jogos tradicionais, com bancas de atividades (pintar um t-shirt, por exemplo), com rancho, com comes e bebes, com o parque da escola à disposição de todos. Assim sendo, sinto-me à vontade para falar destas duas experiências.
Em relação à actuação na festa de Natal, estive numa das primeiras filas (não, não comprei bilhete; sei que em algumas escolas se vendem bilhetes, mas não foi o caso) com o telemóvel na mão à espera que chegasse a vez da minha criança atuar. Um orgulho parvo, mas legítimo, ao ver o meu miúdo em cima do palco com os trajes (simples e giros) feitos pelas educadoras. Cantaram uma versão Brasileira da música que andaram a ensaiar semanas antes da festa, uma vez que a original desapareceu da Pen. Raio das tecnologias, quando decidem trocar-nos as voltas não há grande coisa a fazer. Não me pareceu que os miúdos sentissem algum tipo de pressão por estarem em cima do palco. O que me pareceu foi que o espectáculo acabou por ser uma grande seca para eles (e para nós): a espera dele para subir ao palco e a minha espera para o ver; ver todas as atuações sentado; o silêncio imposto que por vezes não se cumpria... Enfim, não saí assim que o miúdo terminou a atuação por vergonha, mas tive vontade. Os miúdos não gostam de estar tanto tempo sentados e quietos. E os pais, por vezes, também não.

Imagem retirada daqui 

No Arraial, pediram-nos para irmos vestidos a rigor ou, pelo menos, levarmos um acessório alusivo ao tema. Não houve atuações. Eu, que até gosto de passar despercebida, esforcei-me para irmos vestidos a rigor da cabeça aos pés: eu, o pai, o miúdo e a prima. A miúda estava feliz da vida por vestir uma saia com roda: rodopiou, rodopiou e interpretou o papel de forma exemplar. O miúdo pelo simples facto de ter uns suspensórios estava feliz da vida, não por ir vestido a rigor, mas porque associou aquele acessório ao porquinho mais velho (já cá faltavam os porcos). Eu, por incrível que pareça, até um lenço na cabeça levei (claro que tive de pedir à educadora do miúdo para mo pôr). O pai alinhou sem resistência e vestiu um fato a condizer. Eles brincaram. Participámos nos jogos que quisemos. Assistimos à atuação do rancho. Comemos e bebemos. E eles brincaram novamente até se cansarem. Preferimos o Arraial, é mais o nosso estilo.

 Imagem retirada daqui

Não quero desvalorizar o palco, até porque o considero muito importante. No entanto o formato de comemoração centrada em atuações nem sempre resulta, principalmente para as faixas etárias mais baixas.
Considero ainda que a pressão, por vezes, imposta (não foi o caso, foram atuações muito simples) é completamente desadequada neste contexto. É suposto que estas comemorações sejam momentos de festejo e de diversão, não de castigo. Os miúdos não fizeram mal a ninguém. E os pais também não.
Por fim, o formato Arraial promove a aproximação dos pais à escola e possibilita um maior convívio entre pais e a comunidade escolar. No formato das atuações não tive oportunidade de falar com outros pais nem com a as educadoras, por exemplo. Acho que o Arraial (quem diz Arraial, diz piquenique) é mais centrado na interação do que na apresentação/exposição do que se conseguiu, ou não, fazer.
Pela minha experiência, neste contexto, ganha o Arraial. O palco (em exclusivo) fica reservado para outras andanças. 

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Grandes livros para pequenos leitores #26 - Papá, por favor, apanha-me a lua

Histórias que relatam momentos felizes entre pai e filha ou que narram pedaços de vida de um pai dedicados a uma filha, sensibilizam-me - deve ser o "fantasma" de nunca me ter sentido a menina do papá, ou melhor, deve ser o facto (real e não fantasmagórico) de nunca ter sido a menina do papá. Esta história é um desses exemplos. Mais um livro que requisitámos na Biblioteca.
A Mónica quer a lua e pede ao pai que a apanhe. Tal como muitas outras crianças, a Mónica quer coisas inatingíveis. Mas será a lua uma dessas coisas?

Uma coisa não podemos negar: o pai tenta apanhar-lhe a lua.


E esforça-se.


Através do seu esforço, descobrimos que a lua não tem sempre o mesmo tamanho nem o mesmo formato.
Por vezes fica mais pequena...


Outras vezes, cresce...



Em contexto escolar (ou familiar), quando um educador ou professor quiser falar do amor que os pais sentem pelos filhos ou quando quiser falar das coisas que um pai é capaz de fazer pelos filhos, pode aproveitar esta história. Também pode aproveitá-la para falar de como devemos lutar para alcançar o que queremos.  E, claro, através dela pode falar das fases da lua, pode sugerir a construção da lua em 3D nas suas diferentes fases, pode lançar a discussão sobre as mudanças observadas, pode incentivar as crianças a observar a realidade da lua todas as noites durante um determinado período de tempo.

É um livro de Eric Carle, da editora Kalandraka. Adorei as imagens, o texto e a mensagem.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Adeus meu querido mês de Junho de 2017, adeus 1º semestre de 2017

Tinhas tudo para ser um bom mês, mas chegaste-me cansado, como se estivesses a contradizer-te desde o início. E assim foi durante os 30 dias que te completaram.
Foste um mês agridoce no sentido mais puro que consigo imaginar: felicidade extrema e tristeza profunda;  verão antes de o ser a contrastar com ventos e tempestades; dias quentes e noites frias; dias felizes de praia e dias de campo debaixo de chuva; boas notícias e más notícias; certezas e dúvidas; querer e não querer; querer ficar e querer partir; querer continuar e querer recomeçar; bem estar e mau estar; intenções que se cumpriram e desejos que ficaram por realizar; gargalhadas espontâneas e lágrimas atrevidas; ira e serenidade; excitação e apatia; avançar e recuar; o planeamento e o acaso; saber onde pertenço e sentir que não pertenço a lado nenhum; ser a mais doce e ser a mais amarga; o peso e a leveza; o amor e o ódio; a certeza de que tudo pode correr bem e a consciência de que tudo pode correr mal; a fé e a descrença; acontecer o melhor e acontecer o pior.

Ver tudo com nitidez

Ver tudo desfocado


Foste, claramente, um mês cheio de sensações e acontecimentos antagónicos. E eu estou aqui na corda bamba sem saber como sair do 1º e entrar no 2º semestre de 2017 sem me estatelar lá em baixo. Até o facto de me despedir de um mês no seu último dia é uma contradição, uma vez que o costumo fazer já no mês seguinte. Afinal, quais são as mãos que comandam isto tudo? Por vezes, parecemos marionetas.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Barómetro de crescimento #11 - Eu continuo a aproveitá-lo, mas acho que o tempo está mesmo a passar mais depressa / À conversa com o meu filho #16 - A semente e outras coisas

Quando o Índio Pirata fez dois anos, não senti pena. Aproveitei-o bem, vivi intensamente as suas primeiras descobertas, acompanhei-o em muitas conquistas, partilhámos aprendizagens. Hoje, talvez pela autonomia que já conquistou, por eu estar mais sobrecarregada ou porque a vida é simplesmente assim, dou por mim apreensiva ao vê-lo e ao escutá-lo. Hoje, quando o pai me ligou para eu lhe desejar um bom dia (ele estava a dormir quando saí de casa), mal reconheci a sua voz. De repente, pareceu-me que passaram meses desde a última vez que falámos ao telefone, em que do lado de lá ouvia uma voz de bebé a dramatizar porque acordou e não me viu. Hoje, a voz dele estava firme, colocou questões objetivas, sem dramas. Há situações em que me mantenho no diálogo com ele, mas ao mesmo tempo consigo "afastar-me" e observar, apenas observar, como se estivesse ausente, como se fosse apenas espetadora. É uma sensação estranha, deve ser isto que origina a célebre frase "o tempo voa: quando dás por ti, ele já está na escola, no 2º ciclo, no ensino secundário e por aí adiante...". Eu continuo a aproveitá-lo, mas acho que o tempo está mesmo a passar mais depressa.
Tenho a sensação de que comecei o treino para deixar de ser a atriz principal, passar a ser atriz secundária e por fim ficar com o papel de espetadora. Tive muitas dores de crescimento... Parece-me que, agora, vão começar as dores do crescimento dele. Não estava preparada para isto.

Não faças essa cara, lembras-te quando me dizes que queres ser grande? Vais ver que depois disto vais crescer num instante. A maneira como eu vou lidar com isso é que vai ser mais difícil (vamos fazer de conta que o miúdo crescido da imagem sou eu, a mãe crescida).

Imagem retirada daqui

Algumas das suas célebres frases e conflitos internos: 
- Quando eu for grande tu vais ser pequena.
- Quando eu for maior que a prima...
- Quando eu for grande também posso beber vinho... - vai com calma, menino. 
- Quando é que eu vou ser do teu tamanho. 
- Eu sou pequeninoooo - com ar dramático e quando lhe convém. 
...
No outro dia perguntou-me quando é que eu ia para a barriga dele (é justo, já que esteve na minha). E quando é que tinha estado na barriga do pai (isso ainda seria mais justo, dado o número elevado de vezes que vomitei, dava-me jeito ter dividido as coisas). Por fim, perguntou-me como é que tinha ido parar à minha barriga. A semente??? Sim, expliquei-lhe como é que acontece de forma sucinta, parecia à minha irmã a debitar informação - rápido - e baixinho, com esperança que ele não percebesse. Mas ele ouviu. E percebeu. E agora repete em voz alta e ri. Está crescido, este meu Índio. E também está na idade da parvoeira: xixi, cocó, pila, pipi - diz e ri, ri muito.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Pesadelo no mês de Junho

Junho, que estavas a ser tão perfeito, não era suposto que se vivesse este inferno nos teus dias - nem em nenhuns outros.

Não soube da tragédia quando o mundo já observava, atónito, o terror impresso nas imagens; quando já se organizavam grupos de apoio; quando alguns já reagiam e intervinham; quando muitos já lamentavam as perdas irreversíveis; quando alguns bombeiros já mostravam sinais de exaustão física e psicológica - se as imagens nos ferem a alma, a presença naquele cenário deve esmagar qualquer um, por mais forte que seja ou por mais preparado que esteja; quando muitos já não tinham lágrimas porque o que sobrou não compensa o que se perdeu; quando muitos se afligiam com a falta de respostas; quando muitos procuravam por algo que já estava perdido para sempre; quando o sofrimento já estava instalado no coração de Portugal e do mundo; quando muitos já viviam um luto pesado e asfixiante. Só soube da tragédia no Domingo à hora de almoço. 
Há dias em que me isolo do mundo (não do meu nem do mundo dos meus) e isso inclui, naturalmente, os meios de comunicação televisão e Internet. Este fim de semana foi um desses casos e eu vivi na ignorância durante algumas horas. Entrei na serra da Arrábida Domingo de manhã (às 8 da manhã) e, ainda sem saber da tragédia, pensei que um incêndio naquela zona seria devastador, tal como foi há uns anos atrás. Afastei o pensamento, como se desta forma pudesse evitar que algo acontecesse. Segui com o meu filho para a praia. Mergulhámos e brincámos. Às 10:30 saímos da praia e regressámos ao trilho de alcatrão da serra. Já em casa, depois de uma sesta, é que soube o que estava a acontecer, num outro trilho, num outro distrito, numa outra realidade, numa nuvem de profunda tristeza. Só nessa altura é que me caíram as primeiras lágrimas ao ver alguns relatos. Só aí é que me lembrei que alguém que me é relativamente próximo estava a passar o fim de semana prolongado numa terra ali perto - numa altura destas todos nos são relativamente próximos. Ligo uma vez e não atende. Ligo outra e não atende. Mas o telemóvel está ligado, o que é um bom indício. Lá me retribuiu a chamada e confirmou-me que sim: que a sua casa é ali perto, que viu o fogo ao longe, que sentiu o peso das cinzas, que teve medo, que não regressou no sábado à noite porque não sabia por que estrada regressar - ninguém lho sabia dizer, que regressou mais cedo a casa (já no domingo) por um percurso diferente do habitual - a "estrada da morte" seria a estrada por onde regressaria se este pesadelo não tivesse acontecido. Mas aconteceu. E sentimo-nos todos pequenos e tristes perante tamanha tragédia e, ao mesmo tempo, aliviados por não estarmos lá. Não estamos lá, mas estão lá gentes nossas, terras nossas, património nosso, natureza nossa. Natureza essa que se virou contra nós... Ou será que não? Talvez a natureza nos tenha falhado (não é a única culpada), mas nós também já lhe falhámos muito. E tomamos consciência de que não estamos a viver isto como devíamos, não estamos a aproveitar a viagem da melhor maneira, não estamos a acrescentar o que devia ser acrescentado...
Contrariando muitos dos que são os meus desejos para Junho, desejo agora que chova muito. Que chova mesmo muito. Vá lá natureza, eu sei que já falhámos muito contigo, mas não nos falhes agora!

Imagem retirada daqui

Pedrogão Grande, faz jus ao nome que carregas e renasce das cinzas que acabaste de herdar. 

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Os dias das nossas (mini) férias

Tiro dois dias de férias para estar com ele enquanto os amigos da escola vão para a praia, adicionamos os dois dias do fim de semana e ficamos com quatro dias para nós. Ele não vê a diversão dos amigos através do facebook, não sente pena, não lamenta não ter ido. Eu sinto pena por ele não ter ido. Sei que respeitei a minha vontade e o que sinto em relação às idas à praia com a escola, mas a educadora, com o seu jeito de fazer coisas bonitas, provoca-me este sentimento (sei que só aparecem as imagens bonitas no facebook, pensando bem, agora que já passou, acho que fiz o correcto, pelo menos para mim e por agora).
Vamos à praia, saltamos nas ondas, atiramos pedras, ele gosta tanto de atirar pedras ao mar. Vamos a uma sardinhada nas festas da nossa terra. Andamos nos carrosséis. Vamos ao jardim da terra onde vive a minha avó. Faço sopa e ele diz que está gnífica, o que ele quer dizer é que está magnifica (só escrevo isto porque a minha vocação para a cozinha é igual à minha vocação para Física Quântica... pensando bem a Física ganha por alguns pontos). Comemos tomate e alface com sabor de antigamente porque descobrimos uma mercearia nova que vende produtos biológicos, que tem um espaço com brinquedos, que tem uma pessoa simpática e serena a atender, daquelas que nos fazem acalmar só de as ouvirmos falar. Ele é capaz de ficar horas a brincar na "mercearia dos brinquedos" e é capaz de fazer birra porque quer ir à mercearia. Consigo tirar umas horas só para mim num sábado de manhã. Chateio-me com o pai do miúdo. Eu e o miúdo vamos à praia novamente. Descobrimos mais um jardim. Almoçamos fora, os três, num dia de calor e fazemos uma sesta de 3 horas. Terminamos o domingo nos carrósseis.
Às vezes consigo ser espectadora das nossas conversas, dos nossos diálogos sérios e consigo ver como ele está crescido. O miúdo é gozão e brincalhão, tal como me diz a educadora. E lembro-me, agora, que na anterior escola, de acordo com a educadora, ele era só introvertido. Nesta é brincalhão. Talvez seja mais feliz. Agora só isso é que (me) importa.
Segunda feira estou de férias, mas vou deixá-lo na escola. Sinto culpa, mas tenho coisas para resolver e limpezas para fazer. Sinto que tenho de aprender a não sentir esta culpa. Corre tudo bem. Vou buscá-lo e vamos ao parque.

Eu não acho que a escola que ele frequenta seja perfeita (não as há, porque o conceito de perfeição é subjetivo), mas que tem muitas coisas boas e especiais, tem. E com uma mudança tão recente, nós decidimos que não o inscrevemos no Jardim de Infância público - uma velha luta (na minha cabeça) entre escola pública e escola privada. Mas, confesso, temo por decisões futuras que tenhamos de tomar: a maioria das pessoas que conhecemos com filhos a frequentar o Jardim de Infância que ele frequenta não tira de lá os filhos no 1º ciclo. Deve ser porque a escola é boa... Claro que é. O único problema é a mensalidade que é mais de metade do meu ordenado. Se eu reduzisse o meu horário de trabalho, ganharia menos consequentemente, mas podia inscrevê-lo na escola pública, podia ir buscá-lo às 15h00 e ainda ficava a ganhar em "remuneração" e em tempo com ele (pena que a redução de horário não depende apenas de mim)... Mas depois existem os dias em que tenho de sair mais tarde ou levá-lo mais cedo porque o pai não o pode levar, existem as interrupções letivas e decidimos que vamos mantê-lo onde está .

Atirador de pedras no Portinho da Arrábida, a serra que lhe apresentei assim que saiu da maternidade.


segunda-feira, 12 de junho de 2017

Grandes livros para pequenos leitores #25 - Olá, eu sou o João - Um mundo só meu

"Às vezes pareço estar dentro de um mundo só, onde as portas e as janelas estão fechadas. Às vezes  é bem verdade. É assim que me defendo do excesso de sensações que o mundo me transmite. É como se ouvisse tudo demasiado alto, como se as cores fossem todas berrantes e me ferissem o olhar, como se, ao invés de ouvir palavras, ouvisse apenas a articulação agressiva das sílabas, sem sentido. Protejo-me deste excesso fazendo coisas repetitivas que me sossegam e, como devem imaginar, não gosto que me interrompam na minha defesa. 
Queria muito conseguir sair completamente deste escafandro onde me sinto confortável, porque, a espaços, encontro pontos de comunhão com as brincadeiras que vocês têm e sinto-me, mesmo que por pouco tempo, feliz. Ajudem-me a percorrer o caminho de mim a vocês, pouco a pouco e tanto quanto eu consiga. A vossa força pode ser a minha âncora para não me perder."

Texto de Valério Romão, escrito na contracapa do livro "Olá, eu sou o João - Um mundo só meu", com texto de Alice Vieira, com ilustrações de Paulo Guerreiro. Um livro tão cheio de simplicidade, tão cheio de sentimentos, tão cheio de preocupação pelo outro. Um livro tão simples e tão cheio. Um livro especial da coleção "Meninos Especiais".

Nesta história o João encontra um ponto de comunhão com a Isabel numa brincadeira tão simples e tão adorada por todos: saltar nas poças de água.

E nós, saberemos ser humildes o suficiente para pedir ajuda a percorrer o caminho de nós até ele? Sim, é quase certo que ainda não aprendemos a fazê-lo. Quereremos nós percorrer esse caminho? Estaremos conscientes da riqueza que esse percurso nos dará?

Para conhecer mais livros desta coleção: Pais em rede.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

À conversa com o meu filho #15 - Os 3 porquinhos, as 3 primas dos 3 porquinhos, o lobo bom Vs lobo mau e... alimentação

A propósito deste texto, perguntei-lhe o que é que ele quer ser quando for grande. No alto dos seus 3 anos, ele respondeu-me que quer ser o porquinho mais velho.
Acredito mesmo que hoje é esse o seu desejo: no parque incita os miúdos a brincar aos 3 porquinhos e pede-me para ser o lobo mau; chama casa de tijolos a qualquer casinha de parque que encontre nos nossos passeios; gosta de vestir jardineiras porque o porquinho mais velho veste jardineiras; pede-me 3 pratos para brincar, digo que lhe empresto 2, diz-me que precisa de 3 para dar comida aos 3 porquinhos; fecha as portas do quarto e da sala e diz que são as casas dos irmãos...
Perante a sua afirmação em querer ser o porquinho mais velho quando for grande, posso tirar as minhas conclusões: terei mais dois filhos (não porcos) e ele será, naturalmente, o mais velho; será pintor, construtor, carpinteiro, fiscal de obras ou qualquer coisa relacionada com a construção de casas de tijolos; terá medo do lobo mau (agora tem um bocadinho, espero que daqui a um tempo isto lhe passe); será responsável; preferirá o trabalho à brincadeira (equilibra as coisas, está bem filho?).

Dada a sua paixão declarada pelos 3 porquinhos, levei-o a ver uma peça de teatro dos ditos. Seria o culminar da história tantas vezes contada, seria o encerramento das 1001 versões ouvidas. Só que não, a peça de teatro não relatou nenhuma das versões já conhecidas, na verdade a história foi outra: a das 3 porquinhas, primas dos 3 porquinhos; com um lobo bom a querer ser o lobo mau; com um lobo forte; com a casa de tijolos a ir pelos ares; e no final, uma banda constituída pelas 3 porquinhas, primas dos 3 porquinhos, e por um lobo bom. Ou seja, mais uma panóplia de possibilidades à disposição da imaginação do miúdo: venham de lá os tios dos 3 porquinhos, os avós dos 3 porquinhos, os educadores dos 3 porquinhos, os filhos dos 3 porquinhos e por aí adiante... Vou ter de aprender a viver com esta vara. E lembrei-me agora que, a propósito desta sua paixão, posso falar-lhe de substantivos colectivos (de forma informal): vara, alcateia, rebanho (a propósito da história do Pedro e o lobo), etc. E podemos desenhar porcos, ovelhas e/ou lobos, procurando, ou não, inspiração nos livros que temos. E podemos ir para a rua fotografar porcos e/ou ovelhas (costumamos passar por alguns terrenos que têm porcos, ovelhas e outras espécies), podemos imprimir as fotografias e colá-las no livro da vida (que ainda não iniciámos).

E no final desta conversa toda, digam-me lá, como é que um dia vou explicar ao miúdo que se come carne de porco (ele come muito muito raramente). E a propósito disto só me vem à ideia este vídeo:

 

Só sei que já estive mais longe de me tornar "vegetariana" ou, pelo menos, reduzir muito o consumo de carne. Já o tinha escrito aqui.

terça-feira, 6 de junho de 2017

À conversa com o meu filho #14 - questões de género / Grandes livros para pequenos leitores #24 - Será que a Joaninha tem pilinha?

Ao ver a publicidade de um brinquedo na televisão afirmou com convicção: isto é para meninos.
- Para meninos!? Porquê? - perguntei.
- Também pode ser para meninas. - afirmei.

Quis aprofundar a questão: por que raio estaria ele a dizer-me que aquele brinquedo era para meninos?
- Porque é que achas que aquele brinquedo é para meninos, filho?- questionei.
- Porque só aparecem meninos. - respondeu.

É simples, bolas! O que é que eu não percebi?

Numa Unidade Curricular sobre Igualdade de Géneros discutiu-se bastante a existência de brinquedos que são, muitas vezes, direccionados  para meninas ou para meninos consoante a publicidade que lhes é feita (a influência/o poder das imagens). Mas não estava à espera que ele verbalizasse de forma tão directa e tão simples esta problemática - sim é uma problemática. É muito simples: se colocam apenas meninos a brincar com carros nos anúncios da televisão, na publicidade que fazem nos folhetos, nos livros infantis, as crianças são bem capazes de interiorizar que brincar com carros é uma coisa de meninos. Eu não expliquei ao miúdo que o carro é um brinquedo de meninos, ele chegou a essa conclusão pela sua experiência; verbalizou-o porque viu a publicidade com atenção.
Apesar de não termos uma cozinha de brincar cá em casa, ele sempre que vê um brinquedo do género demonstra interesse; ele brinca com caixas de plástico e colheres; ele faz pão em cima da nossa mesa da cozinha. No outro dia, num dos piqueniques que fizemos, queria trazer um bebé e respectiva cama de uma amiga... No entanto, a educadora diz que na sala, com todas as opções disponíveis (bebés, cozinha, tábua de passar a ferro, carros, comboios, construções, etc.) ele prefere sempre os carros e os legos.
Este fim de semana ofereceram-lhe roupa e o miúdo resolveu dizer que duas das camisolas são de menina, uma porque é cor de rosa, a outra porque tem flores...

Que influência terei eu nas suas preferências?
Incentivo-o a brincar com o que ele quer desde sempre, ou melhor, nunca o proibi de brincar com nada (excepto com detergentes, objetos perigosos...), mas a verdade é que até à data não lhe comprei nenhum nenuco nem nenhuma cozinha, apesar de ter andado a namorar uma há um ano atrás (era linda, mas cara).
Na minha opinião, as imagens transmitidas pela publicidade podem influenciar as nossas preferências e levar a uma classificação de brinquedos de acordo com o género, mas as nossas escolhas (minhas, neste caso) também. Apesar de achar que cada um de nós tem as suas preferências e que algumas delas são independentes de factores externos, o facto de eu não ter comprado determinado tipo de brinquedos pode influenciar as suas escolhas/preferências. No entanto, não sinto culpa em relação a este assunto, até porque da mesma maneira que não lhe comprei um nenuco, também não lhe comprei nenhum brinquedo da patrulha pata, apesar de ele gostar muito. Priorizei comprar outros brinquedos em detrimento destes, porque ele demonstrou gostar mais deles. Já o pai, acho que por nostalgia em recordar os seus tempos de criança, comprou-lhe uma coleção de carros da majorette.
Nos últimos dias, começou a dizer que uma das maracas que tem é um bebé, chamou-lhe Martim Joaquim (coitado do bebé), passados uns dias juntou-lhe o Pedrito Coelho (batizado por mim, quando ele era bebé). Agora diz que tem dois filhos. Entretanto, trocou-lhes os nomes: a maraca passou a ser o Rafa, ou seja o Rafael, o Pedrito Coelho passou a ser o Martim Joaquim (falta de sorte a dele). Diz que o pai é o avô dos miúdos. Pergunto-lhe se sou a avó. Ele responde que não, que eu sou a mãe. Agora sim, acho que chegou a hora de lhe comprar um boneco.


Há alguns anos, em contexto escolar, durante o recreio observámos que um grupo de meninos considerou que jogar à bola era um jogo exclusivo de meninos e por isso impediu que uma colega entrasse no jogo. Considerou-se que era uma problemática interessante para ser trabalhada e discutida em grande grupo. O ponto de partida foi um livro de uma colega nossa: Será que a Joaninha tem pilinha? Um livro da editora Dinalivro, de Thierry Lenain e Delphine Durand.
Nesta história, o Max investiga se a Joaninha tem pilinha. É que apesar de parecer um sem-pilinha, desenha mamutes em vez de flores, joga à bola, vence lutas... como se fosse um com-pilinha.


Iniciou-se um projeto com a leitura deste livro. Promoveu-se um debate sobre o problema identificado, em que cada criança teve oportunidade de dar a sua opinião sobre o sucedido: algumas crianças apresentaram exemplos de brincadeiras "destinadas" a meninos e outras "destinadas" a meninas, de acordo com as suas perceções; algumas crianças discordaram e comunicaram ao grupo que gostam de brincadeiras que, muitas vezes, são consideradas brincadeiras "do sexo oposto"; concluiu-se que todos podem brincar ao que quiserem. Realizaram-se vários jogos em que todos puderam participar. Por fim, foram preparadas dramatizações realizadas em pequenos grupos: cada grupo teve a liberdade de inventar a sua pequena história; cada grupo optou por uma técnica para a dramatização da sua história: teatro de actores, teatro de fantoches, teatro de sombras e teatro de objectos.
Porque é que eu não posso jogar o teu jogo? Porque sou menina? - foi o título do projeto. Mas a última pergunta também podia ser "Porque sou menino?", depende apenas da situação.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Olá Junho de 2017

Chegaste-me cansado, preciso que recuperes a energia que te é característica. Tens tudo para ser um bom mês: tens o início do verão, tens caracóis, tens 2 ou 3 dias de férias, tens festas, tens dias maiores, tens praia... Tens o melhor. Embora lá!

Imagem retirada daqui.

Adeus meu querido mês de Maio de 2017

Maio, meu querido mês de Maio, ainda ias a meio e já eras um mês "do caraças".
Foste um mês com dias e fins de semana especiais: a minha irmã a comemorar mais um aniversário; o pai numa feira que superou todas as expetativas; eu a aproveitar bem o miúdo, com passeios, parques, teatro e carrosséis; o Tetra, o Benfica a ganhar o campeonato desde que o meu filho nasceu; o papa Francisco em Fátima, recebemos a boa energia que ele transmite; o Salvador a fazer Portugal ganhar pela primeira vez um festival da Eurovisão; um mês passado desde que o miúdo entrou na escola nova, temos a certeza de que foi a decisão certa (não sei se conseguiremos mantê-lo lá muito tempo, mas não podia continuar onde estava); o meu afilhado a comemorar o seu 22º aniversário. Um brinde com canecas de alumínio para comemorar e encerrar Maio de 2017. Não mudes nunca meu querido mês.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Reflexões profundas (ou não) #32 - Idas à praia com a escola ou ideias disparatadas sobre o assunto

Chegada a hora da primeira ida à praia com a escola, eu decido que ele não vai. Já inventei 1001 desculpas, mas a verdade é que não quero que ele vá, não me sinto confiante em deixá-lo ir, por agora. Este ano. Com 3 anos. Esta é a mais pura das verdades, não a sei pôr por outras palavras.

Mas tenho uma lista de desculpas que vou dando a mim mesma e aos mais intrometidos:
- ele mudou de escola há pouco tempo, ainda está a conhecer e a interiorizar as rotinas do grupo; a educadora ainda está a conhecê-lo, a conhecer-lhe o feitio, a entender como funciona - não sei se já terá tido oportunidade de ler o extenso manual de instruções, redigido manualmente pela minha pessoa, entregue no primeiro dia de Jardim de Infância... Estou a brincar, eu não fiz isto, mas... passou-me pela cabeça fazer um postal com frases e imagens de como o vejo, com descrição das características que considero mais "interessantes" no miúdo. Pronto, já disse.
- achar que é um disparate andar mais de meia hora de autocarro para lá e mais de meia hora para cá, para tão pouco tempo útil de praia. Então e meterem uns alguidares no belo espaço exterior que a escola tem? Sei que, para além das idas à praia, fizeram isto o ano passado... Raios, tenho de fundamentar esta desculpa um pouco melhor. 
- não achar piadinha nenhuma ir ao banho apenas uma vez, quem sabe duas. Que graça é que isso tem?
- e o valor extra que tenho de pagar!? A mensalidade já é o que é... Mas equaciono pagar à Ama para evitar que ele veja os amigos saírem de autocarro (coitadinho, fica na escola. A culpa é da tua mãe - grita o pai). Sim, podem apedrejar-me. Mas é apenas uma crise de incoerência. Vão dizer que nunca tiveram uma!?
- e o mau tempo que pode atingir Portugal Continental em Junho, tempestades, tornados, furacões. Nunca se sabe.
- e se todos os miúdos se lembrarem de fazer cocó ao mesmo tempo? Lá se vai a única ida ao banho... Não me venham dizer que a areia é um bom sítio para o fazer, porque, à conta dessa triste ideia, o miúdo um dia destes apareceu com um dejeto na mão a questionar o que era aquilo: não era uma pedra, mas parecia uma pedra... A verdade é que não parecia cocó, mas era cocó.

A educadora fez uma circular com várias recomendações, com alertas, dando ênfase de que era a primeira ida à praia daquela sala, algo que me deixou ainda mais confiante com a minha decisão... Mas eis que surge uma chamada de atenção para os familiares que se encontrem na praia: abordem o grupo quando este já estiver instalado, de maneira a não desestabilizá-lo. O que ela quis dizer foi: não se ponham à espera do autocarro, tal adolescentes loucas à entrada de um concerto, a dar beijinhos e abraços às crias; nós temos de controlar o grupo de crianças, não o dos pais. Porra, afinal eu também podia ir. Bem que eu disse ao pai do miúdo, "em tom de brincadeira", que me ia oferecer como voluntária. Afinal podia mesmo ter ido à praia com a escola do miúdo. Para o ano, já sei, guardo uma semana de férias e inscrevo-me também. Porque é que não me disseram isto antes?

Quem é que inventou que as escolas têm de levar os miúdos à praia? Deve ser o mesmo que inventou que uma criança quando faz anos tem de dar lembranças aos convidados... Acabem com isto. Já.
Sim, eu fiz colónia de férias que me fartei, mas a partir dos 6 anos de idade. Estamos conversados? Ainda bem. Falamos daqui a três anos.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Desejos: Que eu consiga respeitar e incentivar a tua capacidade de imaginar/fantasiar/sonhar

Que eu interprete o que queres dizer quando desenhas a praia do Algarve (foste tu que mo disseste) 10 vezes, nas 10 folhas que tens à tua disposição.
Que eu compreenda a tua imaginação quando o pai te chama para tomares o pequeno almoço e tu respondes: interrompeste-me, estava a trabalhar, estava a construir a minha casa. Há muito que dizes que tens um trabalho, há muito que tens amigos imaginários.
Que eu não mate a fantasia que existe em ti.
Que eu não deixe que sejas apenas o produto de um trabalho em série.
Que eu te deixe apanhar todas as pedras, folhas, pinhas e afins que encontras no caminho sem reclamar que não podemos levar tudo para casa.  
Que eu entenda o que queres dizer quando me dizes que queres viver nas férias. - Esta eu entendo bem, eu também quero viver nas férias. Ou de férias, vá.
Que eu alinhe nas brincadeiras do faz de conta que tu inicias. 
Que eu consiga respeitar os teus gostos, aptidões e vontades (dependendo das vontades, claro).
Que eu compreenda o que queres dizer  quando te deitas com uma maraca e dizes que é o bebé.
Que eu aceite que danças que te fartas quando toca uma música do teu agrado lá em casa, mas que tens vergonha quando estás em público. Que eu saiba não insistir quando sinto que não o queres  fazer.
Que eu entenda, de uma vez por todas, que apesar de demonstrares gostar da escola nova e de as pessoas serem muito mais meigas e afáveis, tu preferes estar connosco.
Que eu consiga ensinar-te a respeitar o outro, os conceitos de partilha, amizade e compaixão, respeitando-te, partilhando contigo o que tenho, amando-te e tendo a capacidade de me colocar no teu lugar.
Que eu respeite que tu, por vezes, preferes estar a brincar na areia ou a fingir que arranjas o comboio do parque, em vez de utilizares a diversão que tens à tua disposição - eu posso preferir os baloiços e os escorregas e tu não.
Que eu te deixe fazer da colher de pau e do banco uma bateria ou um tambor.
Que eu seja capaz de te ensinar a viver a tua caminhada com alegria e leveza. 
Que eu descubra a fórmula de fazermos, mais vezes, apenas o que gostamos.


Que eu consiga ver o mundo a cores e as cores do mundo através dos teus olhos. É bom sinal para os dois.
Que não percas, nunca, esse brilho e essa vivacidade no olhar.


- A propósito da vergonha que sentes quando te pedem para dançar ou cantar em público, a tua prima já verbalizou que podes não ser um menino de palco (adorei a expressão que ela utilizou, sacaninha do meu coração)... Pois é filho, a escolha será tua. Lembra-te só de uma coisa: Se tiveres vontade e sentires dificuldade, escolhe a vontade, luta pela vontade. Se precisares de ajuda, eu estou aqui.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Adeus meu querido mês de Abril de 2017 / Olá Maio de 2017

Abril, apesar de teres falhado num dos dias de bom tempo que te pedi, gostei muito de ti. Fizemos piqueniques. Fomos a aniversários. Estive de férias. O miúdo mudou de Jardim de Infância e estamos felizes da vida com a nossa escolha. A canuca foi convidada a integrar a equipa de "pré-competição", nada que se farta esta "minha pequena gigante". Passámos um fim de semana fora. Fechámos o mês de Abril e iniciámos o de Maio juntos, com banhos de piscina, com passeios, com sol, a fazer o que nos apetece, a viver bem isso do tempo a três, descansados e a pensar na próxima escapadinha. Abril, gostei de ti, porra! 
E tu Maio, consegues superar isto? Ou igualar, vá. Sabes que és um mês especial, não sabes?

Imagem retirada da Internet: fonte desconhecida. 

Qualquer semelhança entre esta imagem e a (nossa) realidade é mera coincidência: Os "nossos" piqueniques não têm toalhas alinhadas ao milímetro, não têm acessórios de decoração, a comida não está em recipientes bonitos, os têxteis não condizem, não têm copos de pé alto, não chegamos ao destino de bicicleta, não dão uma fotografia assim tão harmoniosa. Mas têm mesas de madeira corridas, têm gente, têm barulho, têm crianças que fazem birras, têm toalhas de várias espécies (cada um leva a sua), têm comida saudável e "não saudável" em pacotes, em caixas de plástico ou em cima de guardanapos. Todos comem de tudo, desde que queiram. Têm pás, baldes, regadores e bolas espalhados pelo chão. Inventam-se jogos espontaneamente. Acontecem boas conversas. Para nós são os melhores de todos, porque são os nossos.

O ano passado despedi-me de Abril assim e cumprimentei Maio com este espírito.

A pressa das horas ou as horas sem pressa

Tenho pressa em despachar-me quando me levanto de manhã porque fiquei na cama mais 10 minutos. Tenho pressa em fazer coisas antes de sair de casa porque adormeci na noite anterior e não as fiz. Tenho pressa em tomar banho, em vestir-me e afins porque quando olho para o relógio o raio do ponteiro nunca está no sítio esperado. Tenho pressa quando estou a caminho do trabalho porque os minutos avançam mais depressa em algumas horas do dia (isto não é científico, mas é uma desconfiança...). Tenho pressa em abrir a porta do trabalho antes da patroa chegar porque chego em cima da hora. Tenho pressa em ir beber café porque funciono mal sem ele. Tenho pressa em ligar o computador e irritam-me as actualizações que o excelentíssimo exige. Tenho pressa em ver os e-mails e em responder aos que são mais importantes/urgentes. Tenho pressa quando vejo o meu e-mail pessoal no trabalho porque não é suposto fazê-lo. Tenho pressa para ir almoçar porque alguém está à minha espera. Tenho pressa em regressar ao trabalho porque há horas para abrir a porta. Tenho pressa em resolver os assuntos pendentes porque quero sair às 17h. Tenho pressa em chegar ao Jardim de Infância antes das 17h30. Tenho pressa em subir as escadas do Jardim de Infância porque ele está à minha espera. Quando ele corre na minha direção, me abraça e eu o beijo deixo de ter pressa. Levo o dia com pressa para não ter pressa neste momento. Quando ele corre no jardim, quando ele me pede para ir ao coreto, quando ele reclama uma ida à estação para ver os comboios, quando ele brinca na areia ou trepa no parque eu não tenho pressa. É hora de contemplá-lo, de observar se está cansado ou se dormiu bem a sesta, de perceber se está bem disposto ou mal disposto, de falar com ele sobre o seu dia. Sem pressa. Falo com conhecidos e desconhecidos no parque e não tenho pressa. Deixo-me ficar no parque até ao limite e não tenho pressa. Batem as 19h e eu começo a ter alguma pressa novamente, se bem que uma pressa mais descontraída. Às vezes, em dias de mais calor e se o jantar estiver feito, ficamos até às 19h30. Caso contrário, convém ir para casa antes das 19h. Dou banho, dou jantar e cometo alguns "erros" quando me atraso: dou-lhe o jantar enquanto ele vê televisão, apesar de gostar mais dos dias em que jantamos juntos à mesa; deixo-o adormecer a ver televisão, apesar de gostar de me deitar na cama com ele a ler um livro, dois ou três.
Às vezes ele pergunta-me se o lobo vem: digo-lhe sem pressa que não; tranquilizo-o quando lhe digo que os lobos vivem em bosques longe da nossa casa; por vezes também lhe digo que há lobos bons. Às vezes diz-me que não quer ter sonhos maus: peço-lhe para pensar em coisas boas; relato alguns dos melhores momentos do seu dia, tais como as brincadeiras com os amigos no parque, as correrias e gritarias com a prima, os jogos que inventamos, o momento em que o faço ver o mundo ao contrário (ao meu colo, ele inclina a cabeça para trás e vê o mundo ao contrário)... Às vezes ele pede a um santinho que era querido da avó do pai para ter sonhos bons. Algumas noites tenho pressa em sair da cama assim que ele adormece, noutras adormeço com ele (ou antes dele). No dia seguinte a pressa surge outra vez e eu, apesar de ter consciência da sua existência, sei que tenho a sorte de ter algumas horas sem pressa, sei que tenho a sorte de ter algumas horas para fazer o que me apetece e o que mais gozo me dá - há dias em que precisava de ter algum tempo só para mim, nem que fosse meia hora, mas ainda assim tenho sorte. É por isto que quando se fala em mudar de trabalho, em arranjar trabalho num local que me faça perder muito tempo em viagens e transportes, que me faça sair mais cedo e chegar mais tarde a casa, eu assumo que não estou interessada. Ganho pouco, não trabalho na área que gosto (apesar de não odiar o que faço), mas sou feliz assim. Neste momento é isto que eu quero. Amanhã logo se vê. E analisando isto da pressa, concluo que as horas em que tenho mais pressa são aquelas em que tenho de fazer coisa que não gosto tanto. Deve ser um mal geral - deve acontecer com todos. A verdade é que tenho (quase sempre) pressa que cheguem as horas em que não tenho pressa nenhuma.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Jardim de Infância: a mudança

Era inevitável. Há muitas coisas com as quais discordo no Jardim de Infância (JI) que ele frequentava desde Setembro, mas a falta de um espaço exterior, as saídas reduzidas, o facto de estarem no mesmo espaço muitas horas (brincavam, comiam e dormiam na mesma sala) foram factores determinantes para a mudança.
O Jardim de Infância no qual o inscrevi há 2 anos, no qual ele entrou o ano passado mas do qual acabámos por desistir devido à mudança profissional do pai, não tem vagas neste momento nem garante tê-las em Setembro. Recomecei a procura: vasculhei páginas de facebook novamente; espiei recreios; ponderei esperar por Setembro; equacionei ele entrar num Jardim de Infância público, também em Setembro; fiz telefonemas; coloquei muitas questões; fiz contas, muitas contas; acordei muitas vezes durante a noite com a certeza de que a mudança teria de acontecer já. Em Março tomámos a decisão: amanhã ele começa uma nova etapa. E nós também.

Há 2 anos, o meu filho tinha 1 ano e meio e eu trabalhava há 4 ou 5 meses - estive desempregada até aos 13 meses de vida dele. Precisava de encontrar um local para ele ficar enquanto eu trabalhava. A minha mãe ficava com ele, mas ia deixar de ficar, por isso impunha-se a necessidade de encontrar uma alternativa. Visitei vários espaços:
1º - o que desistimos o ano passado.
2º - um com boas referências ao nível do pessoal, mas com uma mensalidade elevada e um espaço muito reduzido.
3º - tentei visitar o espaço que ele começou a frequentar em Setembro e foram peremptórios ao afirmar que só o visitaria se ele tivesse vaga. A pessoa que me abriu a porta foi antipática, brusca - péssimo cartão de visita. Talvez por este primeiro contacto, a decisão de ele frequentar aquele espaço nunca foi confortável para mim, mesmo conhecendo duas pessoas que trabalham lá.
4º - um colégio no meio do campo, com excelentes condições físicas, com espaços amplos e iluminados, um bom espaço exterior, que valoriza as diferentes expressões (motora, dramática, musical, plástica), uma horta, alimentação confeccionada nas instalações de acordo com as normas HCCP, pessoas atenciosas, simpáticas e disponíveis, com boas referências e com uma mensalidade elevada para nós (se comparar com a mensalidade de alguns colégios de Lisboa, por exemplo, não é elevada, mas para nós é).

Há 2 anos decidimos que ele ficaria com a Ama, uma pessoa da nossa confiança, até aos 3 anos de idade. O ano passado durante a minha digressão pelos Jardins de Infância este último colégio ficou de fora, nem o coloquei no leque de hipóteses, sabia que o colocaria na primeira opção, financeiramente não era possível. O pai só o conhecia através dos meus relatos. Este ano resgatei-o: fui visitá-lo novamente e desafiei o pai a fazer o mesmo. Ficou decidido que se era para mudá-lo aquele colégio era o escolhido. O miúdo foi connosco, no início ficou envergonhado, não nos quis deixar. Sem grande insistência para o deixarmos na sala, visitámos o espaço exterior e deixámos que explorasse os equipamentos. Regressámos à sala, ficámos com ele durante algum tempo e saímos.  Enquanto eu e o pai ficámos no corredor a conversar com a coordenadora, observei-o pelo vidro, vi-o rir com a educadora, vi como ela se colocou ao nível dele para brincar, observei a interação. Ele gostou de ali estar, se bem que reconheço que foi apenas a primeira visita, um período de tempo curto em que nos sentiu presentes. Desde esta visita até agora passou um mês e tal, ele de vez em quando relembra-a. Espero que seja uma decisão acertada. Muito acertada.

Vou deixar aqui um vídeo com algumas ideias que defendo. Há uma parte que refere que não adianta colocar os filhos no melhor JI quando isso implica que sejamos os últimos pais a ir buscá-los, porque tivemos de trabalhar mais horas para pagar a creche. Concordo. Nenhum de nós vai trabalhar mais horas para pagar o JI, no entanto vamos abdicar de algumas coisas. Confesso que me assustou o cenário de ter menos possibilidades de efetuar programas a três, mas desvalorizei, vamos continuar a fazer os nossos programas, possivelmente optando por opções mais económicas. Para nós o tempo que passamos juntos é muito importante, faz-nos falta, mas o tempo em que ele está no JI também. Precisamos de estar os três bem: nos momentos em que estamos juntos e nos momentos em que estamos separados.
Esta decisão foi tomada agora porque a situação profissional do pai tem vindo a melhorar e há perspectivas  de mais melhorias e porque eu fui (muito) ligeiramente aumentada. Vou pagar 3 vezes mais do que pagava (a mensalidade era baixa). Era muito confortável para nós conseguir juntar algum dinheiro (íamos conseguir fazê-lo a partir de agora), ou fazer uma viagem em família, ou passarmos fins de semana fora periodicamente, ou arranjar alguém que nos limpasse a casa de vez em quando... mas eu não o sentia bem durante as 8 horas que estava no JI... Posto isto, vamos mesmo optar por um dos JI com a mensalidade mais elevada.
Em paralelo vamos inscrevê-lo no JI Público. Não acredito que entre no que mais gostamos, mas se entrar logo se vê, logo se decide se o impomos a nova mudança num espaço de tempo tão curto ou se o mantemos nesta nova escola até ao próximo ano.


E eu estou aqui com esta conversa toda, com dúvidas e opções de escolha em cima da mesa, mas há aqueles pais que pela "simples" decisão de terem filhos, têm mesmo de trabalhar mais. Não para mudar de carro, porque alguns nem carro têm. Não para comprar roupa de marca, porque nem sabem onde se vende. Mas pela simples razão de necessitarem do básico para sobreviverem. E também há os que começam a parentalidade a dois e terminam a solo - quando ficam sozinhos, (alguns) têm mesmo de trabalhar mais. Há os que começam com um bom emprego e ficam desempregados - por vezes, o parceiro tem mesmo de trabalhar mais. Há tantos factores externos... Mas em podendo optar, aplaudo que não se dê grande importância a roupas, a carros, a casas, a brinquedos, porque o (bom) tempo que passamos juntos é que fica no nosso guardador de memórias.


Última hora: só para baralhar isto mais um bocadinho, ligaram-nos do colégio que desistimos o ano passado. Temos vaga, só não sabemos se para iniciar em Maio ou em Setembro, temos hipótese de ir a uma reunião na quinta feira... Mas não vamos. Está escolhido: começa amanhã.

A brincar é que a gente (pequena) se entende #20 - Explorando Expressões

Expressão motora, expressão dramática, expressão plástica, expressão musical: tudo numa só atividade, tudo interligado, com continuidade e fluidez, lúdico, divertido...


Quantas áreas cabem nesta atividade? Quantos conceitos poderão ser explorados nesta atividade? Depende (também) da imaginação de cada um. Será muito difícil fazer isto em sala de aula?

Versão diferente e mais completa:

 

terça-feira, 11 de abril de 2017

Adeus meu querido mês de Março de 2017 / Olá Abril de 2017

Adeus meu querido mês de Março. Passaste bem, gostei de te ver, foste um bom mês, mas agora já só penso em Abril. E nas férias que ele me traz. E nas mudanças que nele ocorrerão. 
Abril, águas mil: pela parte que me toca é permitido chover nos dias 17, 18, 26, 27 e 28 de Abril. Nos restantes dias solicito o envio de dias de Verão. Agradeço, desde já, a concretização deste meu pedido. 

 Imagem retirada daqui.

"Ai e tal, ele tem cada conversa!" e outras coisas

Alguns exemplos que originaram este tipo de conversa são, na minha opinião, coisas básicas (não pensem que o miúdo já discute as principais notícias do dia). Não são de hoje, mas foram os exemplos de que me lembrei:
1) Acharam interessante que o miúdo, a propósito de uma conversa que antecedeu uma visita à igreja, questionasse se as figuras eram de vidro.
2) Ficaram surpreendidos porque o miúdo, após a leitura de uma história (acho que foi este o contexto), referiu que o gelo derrete quando aparece o sol.
3) Alguém considerou pertinente que o miúdo o rectificasse quando lhe disse que o porquinho mais velho decidiu construir uma casa de pedra. Tijolos - retificou ele, e argumentou. Neste caso, acho que elogiaram mais o poder de argumentação/a explicação do que que propriamente o conteúdo.
Alguém me disse que o miúdo dá luta... Porque argumenta. Acho vantajoso ter capacidade de argumentação, mas estas não são conversas fora do comum.

Consigo encontrar justificação para as questões/as respostas/os argumentos que o miúdo utilizou nos exemplos acima referidos, bem como para muitas das situações que me relatam. Aqui estão elas:
1) No JI em Dezembro esteve um presépio com figuras de barro (acho que que eram de barro, confesso que não sou tão boa a identificar materiais como o miúdo, mas isso é um problema meu e não uma super característica dele), disse-lhe várias vezes, "filho, não podemos mexer nestas figuras porque podemos parti-las sem querer, não são nossas". Em casa disse-lhe várias vezes, "agarra bem o copo porque é de vidro". Quando a educadora lhes pediu para não tocarem nas figuras que iam encontrar na igreja, quando lhes pediu para terem cuidado, quando lhes disse que as figuras se podiam partir, o miúdo pegou nos conhecimentos que tinha acerca do verbo partir e aplicou-o - não, não o conjugou -, assumindo que se era para ter cuidado, se as figuras se podiam partir, é porque possivelmente eram de vidro.
Ele identifica alguns materiais, como o vidro, a madeira, o ferro, porque já falámos sobre isso em situações concretas. E sabe que o vidro quebra porque realizou uma experiência em que o comprovou: partiu um copo. Apanhou um valente susto, mas teve de o fazer para perceber o que é isso de partir um copo e o que é isso ser de vidro. Este meu miúdo tinha tudo para se chamar Tomé, é um defensor nato da expressão "ver para crer".
2) Temos um livro que comprámos no Pingo Doce que fala disto. Há excertos do texto que não gosto, confesso, mas é engraçado, é uma fábula e fala precisamente disto.
3) Ele já ouviu a história de "Os três porquinhos" milhões de vezes, em todas elas a casa que o porquinho mais velho constrói é de tijolos. Dizerem agora que a casa é de pedra é pôr em causa a palavra da sua mãezinha que tantas vezes lhe contou a história... O miúdo insurge-se, claro. E argumenta. Para o número de vezes que já viu/ouviu esta história o que não lhe faltam são argumentos.

Mistério desvendado: o miúdo não aprendeu a ler sozinho, não sabe fazer compras on-line (isto é que me dava jeito, detesto), nem falou sobre a teoria da relatividade. Lamento desiludir-vos, mas encontro (quase) sempre o motivo que o leva a fazer determinado comentário/a ter determinada conversa. É claro que ele diz coisas que me surpreendem, na medida em que adquire, cada vez mais, conhecimentos fora da esfera familiar, mas julgo que o segredo é a variedade de situações a que as crianças estão expostas.

Fico feliz por me gabarem o miúdo. Todas as mães ficam, mas a verdade é que ele ficou exposto a situações em que foi confrontado com (quase) tudo o que provocou/provoca a conversa do título deste texto. Ele vai buscar conhecimentos prévios e relaciono-os com a situação atual. Confesso que o que vou fazendo com ele, as histórias que lhe vou lendo, as explicações que lhe vou dando acerca das coisas têm (quase) sempre em consideração questões que ele coloca, situações com que nos deparamos, o feedback que ele me dá e não propriamente a idade que ele tem. Nem sei dizer muito bem o que é adequado para a sua idade. Claro que não o ponho a ver um filme com legendas (ele não sabe ler), mas não sei definir muito bem e de forma generalizada o que é adequado a uma idade ou a outra. Talvez por acreditar (em parte) na Teoria de Bruner: qualquer ideia ou problema, se devidamente estruturada/o, pode ser apresentada/o de uma forma suficientemente simples para que qualquer aluno a possa/o possa compreender de uma forma reconhecível. Partindo deste princípio é claro que a instrução, a forma como é comunicada a informação, é um aspeto fundamental no processo de aprendizagem. A instrução não pode ser, de maneira alguma, reduzida ao débito de informação. Há educadores/professores muito bons na instrução, na forma como transmitem a informação: uns escolhem um livro, um filme, uma peça de teatro ou um passeio para apresentar o tema e suscitar a curiosidade das crianças; alguns apresentam o mesmo tema mais do que uma vez, de forma diferente, com exemplos reais para reforçar a conclusão e validar a aprendizagem; outros partem de conversas/questões/vivências dos alunos para lançar o debate, chamando-os a testemunhar e a participar... Outros não. Infelizmente ainda há os que apenas lêem slides - espero que estes sejam uma espécie em vias de extinção, ou então que se adaptem ao meio rapidamente.
 Imagem retirada da Internet: fonte desconhecida

Textos que falam de aprendizagem significativa:
 - A brincar é a que a gente (pequena) se entende #7 - Ensaios sobre a realidade: aprendizagem com significado.
- A brincar é que a gente (pequena) se entende #13 - Dia de aulas ao ar livre

sexta-feira, 7 de abril de 2017

À conversa com o meu filho #13 - Eles que se entendam

No parque perto da nossa casa, ele costuma brincar com uma menina. Ontem, ela fez uma birra porque queria o carro que ele tinha. Ele ouviu-a chorar, olhou-a de soslaio, mas não cedeu.
O pai da menina a intervir por um lado: filha tens de saber esperar, o teu amigo agora está a brincar, tens de ter paciência. Eu a intervir por outro: filho estás com esse carro há algum tempo, a tua amiga está chateada, possivelmente cansada, é importante partilhar, emprestas o carro à tua amiga? Ele "emprestou", mas salientou que, depois, ela teria que o devolver - o carro não é de nenhum deles, é do parque.
O pai da menina pediu-lhe para agradecer, ela não agradeceu. O pai da menina disse-lhe que ela era feia... O miúdo encheu o peito de ar, virou-se para o senhor com um ar muito prepotente e disse-lhe: Ela não é feia, feio és tu. Baixei ligeiramente a cabeça e disse baixinho: eles que se entendam!

Estão chateados um com o outro, uma pessoa vai cheia de boa vontade promover um pacto de paz, quando chama a atenção de um deles o outro revolta-se.
É preciso saber em que situações se deve intervir, é preciso saber (só) observar, é preciso deixar que eles resolvam os seus conflitos, é preciso deixá-los crescer e aceitar que se vai ser (apenas) espectador em muitas situações... Algumas nem isso.

De acordo com os relatos efetuados milhares de vezes pela minha mãe (repetir a mesma história 1000 vezes é algo intrínseco às mães), eu e a minha irmã fizemos isto muitas vezes. Uma coisa sou eu chatear a catraia, outra, totalmente diferente, é aparecer alguém a querer fazer o mesmo. Cada um com a sua função, para desatinar com ela estou cá eu... E vice versa. O miúdo deve ter seguido a mesma lógica.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Gosto tanto de quadros e diplomas de mérito! (ironia) / O livro da vida

Essa coisa de se dizer que uma criança/pessoa é inteligente/muito inteligente tem muito que se lhe diga. Há vários tipos de inteligência e dizer que uma criança tem aptidão para uma coisa, não a livra de não ter jeitinho nenhum para outra. Talvez a minha opinião sobre este assunto seja apenas para justificar o facto de nunca ter sido considerada uma criança muito inteligente, mas fazem-me sentido as teorias que defendem a existência de vários tipos de inteligência.
O ano passado fui a uma festa de final de ano de um Jardim de Infância + 1º ciclo, na qual  foram entregues diplomas de mérito a algumas crianças. À minha frente duas mães conversavam:
Mãe 1: a minha filha vai ser chamada ao palco para receber um diploma de mérito, a professora avisou-nos. E a tua?
Mãe 2: a professora não me disse nada...
Mãe 1: a tua filha não esteve no quadro de mérito!?
Mãe 2: sim, no 2º e 3º períodos. 
Mãe 1: ahhh, a minha esteve nos 3 períodos, deve ser por isso.

Em primeiro lugar, não gosto de quadros de mérito - lá está, talvez porque no meu tempo de escola o meu nome só aparecesse no quadro de alunos com o nível de desinteresse mais elevado ou no dos alunos com o maior número de negativas. Em segundo, porque nunca percebo muito bem quais são os critérios nem qual é o (verdadeiro) objetivo. Em terceiro, quando os percebo acho (quase) sempre que são injustos. Neste exemplo concreto, a que se manteve estável o ano inteiro recebeu um diploma, a que evoluiu não. Se a criança tiver uma vocação notável para as ciências e for (apenas) razoável a Língua Portuguesa, apesar de se esforçar e de evoluir, não merece estar no quadro de mérito/receber um diploma de mérito? Segundo a justificação dada àquelas mães, não: tinha de ter boas notas em todas as disciplinas e em todos os Períodos... É pá, ninguém é bom a tudo... Bem, eu era má a quase tudo - não sou um exemplo de boa aluna, já o escrevi antes; só fui razoável a partir do 10º ano, quando já trabalhava...
Sei que alguns defendem que este tipo de iniciativas aumenta os níveis de motivação, mas acredito que aumenta apenas a motivação dos que veem lá o seu nome. E a motivação dos outros?
Não ignoro que há crianças com mais facilidade no processo de aprendizagem, crianças mais curiosas, crianças mais sociáveis, crianças mais extrovertidas, crianças com maior capacidade de resolver problemas, crianças com maior facilidade de adaptação, crianças capazes de gerir melhor as emoções... crianças expostas a ambientes educativos mais estimulantes... enfim, existem crianças muito diferentes entre si e todas essas diferenças influenciarão, certamente, o seu desempenho escolar, entre outros fatores. Logo, não compreendo porque é que existe esta necessidade de comparar e premiar quando, à partida, não estão todos no mesmo patamar. Na verdade, muitas vezes, nem sabemos quais são os motivos que estão por trás de um bom ou mau desempenho escolar.

Atenção, defendo que a criança deve experimentar a "sensação" de frustração (é inevitável), convém inclusive que saiba lidar com com ela. No entanto julgo que essa aprendizagem pode passar por dificuldades que sente em realizar alguma tarefa, por exemplo; pode passar por não conseguir realizá-la, até. 
O meu filho não consegue atirar e "encestar" a bola com tanta eficácia como a prima (não acertou num determinado alvo que eles próprios definiram de forma espontânea - observei na última ida ao parque). Ficou chateado por não conseguir (porque se comparou com ela). Expliquei-lhe que a prima é mais alta do que ele, já fez "aquela brincadeira" mais vezes do que ele, talvez por isso consegue fazê-lo com mais facilidade do que ele. Não fingi que ela não consegue fazê-lo (ela consegue fazê-lo), nem assumi que ele vai conseguir fazê-lo já na próxima tentativa (porque não sei; ele até pode vir a estar em igualdade de circunstâncias e não conseguir). Posso apenas incentivá-lo a tentar. Agora, imagine-se que, depois desta justificação e depois de ele tentar e não conseguir, oferecia uma "prenda" à prima. Porquê? Com que objetivo? Ou imagine-se que depois de ele tentar várias vezes e conseguir, oferecia uma "prenda" à prima - porque ela conseguiu fazê-lo mais vezes. Porquê? Para quê?

Escrevi aqui sobre um livro que nos diz precisamente que isso de ser o melhor/o maior pode ser muito relativo.

Uma alternativa a isso dos quadros e diplomas de mérito:
Incentivar a criança a construir um livro no qual ela registe, através de desenhos, textos, colagens ou fotografias, o que vai aprendendo ao longo do ano (Livro da vida de Célestin Freinet, por exemplo). Algumas páginas podem até incluir o "Antes e o Depois" - o que o aluno (pensa que) sabe antes e o que o aluno descobre depois. No final do ano letivo, uns dias antes das aulas terminarem, pedir às crianças para escolherem uma das aprendizagens: uma muito importante para si, a sua preferida. Debater com as crianças as escolhas efetuadas, enumerar os motivos. No final do ano, promover uma festa/um lanche/um passeio com as famílias e permitir que cada aluno fale da sua aprendizagem preferida. Ou realizar uma exposição com todas as escolhas... E não há qualquer problema que vários alunos escolham a mesma aprendizagem. É verdade que não gostamos todos de amarelo, mas há muitos a gostar de amarelo. O objetivo não é demonstrar a diversidade de aprendizagens, mas sim deixar a criança escolher e descrever os motivos da sua escolha. O objetivo pode ser: "dar voz" à criança, deixar a criança avaliar a sua própria aprendizagem, promover a retrospetiva e revisão das aprendizagens efetuadas, incentivar a criança a justificar as suas opções...
No final, até se pode emoldurar a aprendizagem preferida de cada criança e oferecer a cada uma o que para si tem mais significado.
E o livro? O livro construído pela criança é, certamente, o melhor barómetro da sua aprendizagem. "é mais importante e justo avaliar uma criança tendo em consideração o seu progresso - o que a criança consegue fazer no início do ano letivo e no final, por exemplo - do que compará-la com qualquer outra da mesma idade e, supostamente, no mesmo estádio de desenvolvimento. Avaliar o progresso da criança, elogiá-la nas vitórias, relembrá-la do que já conseguiu alcançar e de como enfrentou as dificuldades, parece-me, claramente, mais justo e mais frutífero".

Era bom poder deixar (um pouco) de lado os livros que falam por nós, mas que dizem pouco de nós...

e começar a escrever um com as páginas todas em branco... com a nossa história, com as nossas descobertas... na escola ou em casa.

 Imagens retiradas daqui.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Adeus meu querido mês de Fevereiro de 2017. Olá Março de 2017. Adeus Inverno. Olá Primavera.

Esqueci-me de dizer adeus a Fevereiro. Faço-o agora: adeus 86º aniversário da minha avó, adeus chatices de Fevereiro, adeus Carnaval, adeus mini-férias. Nos últimos dias de Fevereiro, fomos ver o musical "Capitão Miau Miau"; ele aguentou 1 hora sentado e gostou; as músicas ficam no ouvido e o CD não sai do carro; ele e a amiga do parque divertem-se a cantar e a dançar enquanto tentam acertar na letra. No penúltimo dia do mês, fomos à praia, almoçámos com a prima, brincámos no parque, eles mascararam-se. Foi um bom final de mês.
Março, meu querido mês de Março, terminou em ti o ciclo de Inverno para dar lugar ao da Primavera. Trazes a promessa de novas cores, dos dias maiores e da leveza. Apesar de ainda andar com a cabeça enfiada na areia, aqui estou eu a cumprimentar-te. 

 Imagem retirada daqui.

Sim, por vezes, o mundo "aparece-me" de pernas para o ar... Ou serei eu!?

terça-feira, 21 de março de 2017

Dias nossos: 19 de Março de 2017 / Grandes livros para pequenos leitores #23 - Pê de Pai

Ele acordou às 5 e tal da manhã de Sábado. O pai trabalhou no Sábado. Ele acordou às 6 da manhã de domingo. O pai esteve de folga no Domingo. Não comprei nenhuma prenda nem tinha vontade de o fazer, queria pagar-lhe o almoço longe de casa, com vista para o mar. Foi esta a prenda que imaginei e era para os três. O miúdo fez um presente na escola para oferecer ao pai e eu estava sem paciência e sem imaginação para acrescentar algo à surpresa. Queria apenas fugir dali para um sítio bonito.
A casa estava por arrumar. A visita à minha avó, que caiu, estava por fazer. A roupa estava por tratar. Eu estava cansada. Às 7 da manhã eu e o miúdo tomávamos o pequeno almoço. Às 7:30 brincava sozinho. Às 8 da manhã eu e o miúdo estávamos a fazer ginástica no quarto dele, a jogar à bola com um boneco, a brincar ao equilíbrio.
Disse-lhe que era dia do Pai. Sugeri a leitura do livro "Pê de Pai". Ele aceitou, mas pediu para lhe ler também o "Coração de mãe". O pai acordou às 10, era dia do Pai, dormir até às 10h foi um dos presentes. Por ali andámos com intenção de ir para a rua. O cansaço pesava-me, o sono começava a chatear o miúdo. O almoço com vista para a praia ficava sem efeito. Ao meio dia estávamos a almoçar em casa. À uma da tarde ele estava a dormir - dormiu 3 horas e eu duas. Antes de dormir o pai "obrigou-me" a ir comprar um gelado, era dia do Pai, era só o que ele queria - "sacana", fez-me sair de casa. Assim que acordou da sesta, lanchámos e fomos para a rua. Fomos a um parque distante da nossa casa, onde brincámos e arejámos os três. Eles foram desejar um feliz dia ao avô enquanto eu fui ver a minha avó. Jantámos na casa dos avós. Regressámos a casa para dormir. Varri o chão da cozinha, tratei de alguma roupa e ignorei o que ficou por fazer. Na segunda feira de manhã desejei que fosse domingo com o pai de folga. O meu desejo não se concretizou. Paciência, está tudo bem.

O pai é ambulância, é travão, é casaco, é bóia e é colchão. O pai é sofá, é avião, é motor, é grua e é despertador. O pai é esconderijo, é escadote, é carrossel, é trator, é cavalinho, é túnel e é doutor. O pai é esfregão, é pequenino, é seta, é cofre, é cabide e é meta. O pai pode ser tudo o que ele quiser.
Ofereci este livro ao pai do meu filho no final da minha gravidez, quando ele fez 37 anos. Ele nem imaginava o tanto que podia ser.


É um livro de Isabel Martins e Bernardo Carvalho, do Planeta Tangerina.

No dia do Pai, mandei (por mensagem) um beijinho a várias mãe que tantas vezes (quase sempre) fazem a vez dos pais. São as minhas heroínas. No dia da mãe farei o mesmo ao pais que se encontram na mesma situação. Só conheço um - atualmente ele já divide as responsabilidades com a mãe, mas durante muitos anos foi só ele.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Grandes livros para pequenos leitores #22 - Darth Vader e filho

Oferecemos este livro ao pai no dia 19 de Março de 2015. O pai é louco pela Saga Star Wars. O filho, por contágio, começou a apreciar as personagens desde muito cedo. Às vezes pede para lho lermos. É diferente da maioria dos livros que temos. Ilustra na perfeição alguns dos momentos vividos entre o pai e o filho cá de casa. É um livro especial para nós.


Legendas nossas:

Tenho de me agarrar a algum lado, certo?
 
 Exploração Infantil!?

Deves pensar que um convite para ir à casa de banho é uma coisa muito interessante... Convida-me para ir ao parque.

O pai sente todos os dias a mesma dificuldade: vesti-lo. 

Ainda não estou pronto!!!!!! Agarrar é diferente de empurrar. Compreendes a diferença?

 Fraquinho. Estive 9 meses enrolado e não me queixei.

Já tenho uma prima...

 Tu sabes que gosto muito de ti, papá.

Um livro de Jeffrey Brown da Editora Planeta Manuscrito.